30 de Janeiro – Dia da Não-Violência


No dia 30 de Janeiro de 1948 Mahatma Gandhi, líder indiano que fundou o movimento de Não-Violência, foi assassinado. Para homenageá-lo, anos depois, a ONU instituiu essa data como Dia da Não-Violência. Homenagem justa, faz muito sentido. Mas, na prática, como fica pra nós?

Me peguei pensando nisso porque a violência é algo com que a humanidade convive desde o início dos tempos. E não estou falando só de eventos violentos como um assassinato. Me refiro à violência do dia a dia mesmo.

Podemos olhar bem perto, nos nossos relacionamentos mais próximos, inclusive na forma como cada um de nós se relaciona consigo mesmo. De onde vem a violência? Por que ela surge? Preste atenção: quando você se irrita, a ponto de usar palavras duras, tom de voz alterado, até mesmo gritar com alguém, qual a causa disso? Ah, é o outro! Claro, o outro fez algo (ou deixou de fazer) e isso te desagradou. Tudo aconteceu “de fora pra dentro”, certo?! Não, não é bem assim.

 

O que o outro fez (ou deixou de fazer) mexeu de forma negativa com você porque não atendeu a uma necessidade sua! E você sabe qual era essa necessidade? Não.

 

Inclusive, às vezes, somos violentos com nós mesmos, ficamos irritados com nossas próprias atitudes (ou com a falta delas). Porque, muitas vezes, nós não levamos em consideração nossas próprias necessidades. E aí é que começa o problema!

Todos temos necessidade básicas, como: de acolhimento, de aceitação, de honestidade, de clareza, de respeito, de liberdade, e por aí vai. Quando essas necessidades não são supridas, aparecem em nós sentimentos como: ansiedade, agonia, frustração, desapontamento, etc. Na maioria das vezes isso não fica claro e a consequência disso é a violência, que praticamos conosco e com os outros também.

Faço aqui um convite a você: lembre-se da última vez em que você foi violento. Observe essa cena e identifique como você se sentiu. A partir disso, busque o que realmente era importante pra você naquele momento, qual era a sua necessidade? Se você pudesse fazer um pedido à pessoa que com quem você foi violento, qual seria?

Vou compartilhar com você uma cena que aconteceu comigo, talvez isso te traga mais clareza. Eu estava no trânsito (onde ninguém se estressa, né?!... rsrs), indo tranquila na faixa da direita, ouvindo música, de boa. De repente, eis que um carro “se jogou” na minha frente, tive que frear bruscamente, por pouco não bati! Na hora fui de zero a cem em estresse, me assustei e gritei “P...!! Cê tá louco?”. O motorista, óbvio, não me ouviu (eu estava com os vidros fechados) e seguiu seu rumo. Bom, esse é o fato. Como me senti? Assustada, ameaçada, indignada e revoltada. Sobre minhas necessidades: segurança e respeito. Meu pedido seria: eu preciso que você respeite o meu espaço e não o invada.

Pra que serve tudo isso? Por que estou compartilhando essas coisas com você? Porque, nas grandes questões sobre violência (como roubos e assassinatos), infelizmente, nem sempre conseguimos fazer algo significativo para mudar as coisas e melhorar a situação. Mas, no que se refere à violência que parte de nós, nisso sim podemos agir e melhorar, até mesmo evitar que ela aconteça. Faça um teste, preste atenção em si mesmo, considere seus sentimentos, olhe para as suas necessidades e, antes de agir com violência, experimente fazer um pedido, honesto e genuíno.

Você pode se surpreender com o resultado.