Vida Provisória


Semana passada me aconteceu uma daquelas situações inesperadas, mas que preencheu meu dia com muita reflexão! Fui fazer uma visita rápida à minha avó para conversarmos um pouco e, no meio do papo, ela me disse que tinha algo para me mostrar. Foi até o quarto dela e voltou com uma folha de papel onde havia um texto intitulado “Vida Provisória” e pediu que eu lesse.

A surpresa não foi o texto em si, mas sim descobrir quem era o autor: EU MESMO!!

Se trata de um pequeno artigo que eu escrevi em 24 de Fevereiro de 2005 para uma das matérias da faculdade e nem me lembrava mais. Naquela época eu não fazia a menor ideia de que iria começar a escrever artigos anos depois.

 

Achei interessante perceber que depois de todo esse tempo o texto ainda faz sentido. Talvez até ainda mais do que na época em que foi escrito!

 

Transcrevo aqui o texto exatamente como escrevi há quase 13 anos:

Muitas pessoas levam uma vida provisória que, nada mais é do que aquela vida que não é a idealizada, mas sim a que cada um tem até que esta última seja alcançada. Faço tal afirmação, baseado tanto em minha própria experiência, uma vez que considero assim a vida que levo, como, principalmente, na observação do cotidiano das pessoas. Então questiono, será que a tal vida provisória a que me referi merece mesmo este rótulo? Acredito que não.

Fico imaginando quantas pessoas praticamente perderam anos de suas vidas em busca de outros anos que nunca chegaram ou então que passaram uma vida inteira buscando algo que durou tão pouco. Dessa forma, fica questionável qual das duas vidas, cotidiana ou idealizada, merece realmente ser rotulada como provisória.

Assim como eu, muitos têm planos para o futuro e almejam um dia alcançar uma série de coisas e quebrar diversas barreiras. Enquanto não conseguimos concretizar tais idéias, dizemos que aquilo que estamos vivenciando e fazendo é passageiro, provisório e é aí que acredito estar o problema. Às vezes me pergunto se ao passar a vida acreditando que tudo que fazemos é meramente passageiro nós não deixamos de dar valor a um monte de coisas, sendo que nem sabemos se um dia conseguiremos de fato concretizar nossos planos e sair dessa nossa vida provisória.

A verdade é que todos passamos, sem exceção, muito mais tempo vivendo a vida provisória do que a idealizada, de modo que o rótulo aplicado à primeira deixa de ser coerente com a mesma. O pior é que poucos são aqueles que se dão conta disso, o que mostra que o ser humano, capaz de tantas coisas dificílimas, ainda não conseguiu desenvolver a aparentemente simples habilidade de viver bem.